sábado, 5 de junho de 2010

O TATARAVÔ DO FUTEBOL

Foram os chineses que inventaram o futebol há cerca de 4.500 anos. Se bem que o que eles jogavam naquele tempo era uma espécie de tataravô do futebol moderno. Nem era considerado um esporte, mas apenas um treinamento para soldados. Os chineses antigos deram ao seu jogo o nome de Kemari. Cada time tinha oito jogadores e as balizas eram feitas com varas de bambu fincadas no chão. O negócio era chutar a bola para além das estacas e marcar pontos. Ninguém queria saber de defender só atacar.
O futebol continuou por muito tempo como treinamento para soldados. Foi assim na Grécia Antiga e também na Roma. Os jogadores gregos chutavam uma bola feita com uma bexiga de boi cheia de areia. Coitados, seus pés deviam ficar doendo muito depois das partidas. Como eram soldados, não deviam ligar muito para isso.
Foi apenas no século 17 que os ingleses conseguiram tirar o futebol dos militares, transformando – o em esporte. O campo media então 120 metros de largura por 180 de comprimento. Em cada uma de suas extremidades existiam dois postes de madeira chamados goal (a palavra gol vem do inglês goal). A bola já era de couro cheia de ar. Mas era um jogo praticado apenas pelos ricos, os nobres.
Com o tempo, passou a ser praticado pelos alunos dos colégios internos. E era a maior confusão; cada colégio tinha as suas próprias regras e por isso não dava para marcar partidas entre eles. O jeito era organizar a coisa. Na cidade de Cambridge, os alunos de várias escolas fizeram uma reunião para estabelecer um código único de regras que servisse para todos. Nascia assim o futebol moderno.

Folha de São Paulo - Folhinha
ENTRANDO EM CAMPO
Hardy G. Alcoforado Filho

O Maracanã estava cheio. Gente pra todo lado. Bandeiras, charanga. Uma festa!
Também, pudera! Jogo importante. Decisivo. Fla-Flu.
Eu estava elétrico. Era a primeira vez que eu ia assistir ao meu pai atuar. A espera era angustiante. O tempo parecia acomodado, com preguiça de passar.
Finalmente, o meu pai entrou no campo.
Acho que os únicos a aplaudir fomos eu e o Tio Joca. A torcida, nem aí. Bem... o meu pai não era nenhum craque de bola. Era só o juiz da partida. Para mim, a figura principal, é claro!
Depois, entraram os dois times. Aquela coisa de sempre: fotos, bate-bola, entrevistas... as torcidas fazendo algazarra, cantando, pulando...
Eu queria era jogo, a “redonda” rolando e o meu pai dando “olé” No apito.
Começou o jogo e, pouco a pouco, eu fui percebendo que o espetáculo não ia ser exatamente o que eu esperava.
Que “olé” de apito que nada! A coisa foi bem diferente.
Se o meu pai marcava uma infração a favor do Flu, quem vaiava era a torcida do Fla. Se era a favor do Mengo, quem vaiava era a torcida tricolor. Se fosse só isso, tudo bem. O pior eram os nomes. Não perdoaram nem a coitada da minha avó, que não fez mal a ninguém.
Quando meu pai marcou o pênalti, nem se fala. Foi um Deus nos acuda! E o gol de empate? Todo mundo reclamando impedimento.
Eu sou obrigado a confessar que tive vergonha e medo. Vergonha porque não é mole ver o pai da gente ser xingado daquela maneira. Mesmo que ele não tivesse certo, errar não é humano? E muito medo porque, do jeito que as duas torcidas saíram descontentes, já imaginou se alguém descobre que eu era filho do juiz?


UMA ESTRANHA NA LOJA

Ser novo é bom.
Ser bola nova é um doce de coco.
Mas não é tudo. Bola vivida é muito mais, a experiência vivida é que vale.
Nossa vida na Loja Garrincha (eu soube depois que Garrincha tinha sido um dos maiores jogadores do mundo) só começou a ter interesse real no dia em que apareceu, na seção de concertos, um cara com uma colega toda caqueirada, velha e suja, de couro rasgado por um preço, dois furos enormes na câmara-de-ar.
O homem apresentou a bola, mostrou os defeitos, pediu o preço, encomendou os reparos, ficou de voltar no dia seguinte.
Deixada a um canto, a velha bola nos olhava com evidente curiosidade:
- Tudo bem, pessoal?
Ninguém respondeu.
- Tão me estranhando?
Nós de olhão arregalado.
- Eu acho até graça, disse a velhota com ar divertido. É gozado vocês. Tão emproadas, tão cheias de si, tão vaidosas... Quem vê pensa até que vocês são donas do mundo.
Tinha um tom gaiato na voz.
- Aliás, o mundo também é uma bola dizem os sábios... A Terra... Tomara que ela não se esvazie, como vai acontecer com todas vocês mais cedo ou mais tarde. Seria uma calamidade...
Pôs os olhos em mim:
- Por sinal que algumas já estão vazias... Ou ainda estão...
Percebeu a minha ansiedade:
- Tem pressa ou não, querida! O dia do enchimento chega para todas as bolas.
Como o de esvaziamento final... Como o do chute... Como o do gol...
Voltou-se para uma colega, da famosa marca Mixute:
- Já levaste algum?
- Gol?- perguntou Mixute sem saber do que se tratava.
- Chute, sua bola, chute... O que teu nome tá pedindo...
Mixute perguntou por todas nós, que a ignorância era comum:
- Que negócio é esse?
- Destino, minha filha... Destino de bola... Chute vai chover no teu lombo a vida inteira...
- E gol?- perguntei eu?
A rasgadona teve um riso breve:
- Gol, nem tanto... Há um gol para cada 500 chutes que levamos. É a média. Os homens andam muito ruins. Estão jogando pedra... Já não se chuta como antigamente...
Fez um ar de misterioso:
- Explica... Explica! – pediram todas.
Ela ia explicar, não deixaram.
Um funcionário acabava de entrar, com uma bomba na mão, me apanhava e começava a me encher, com uma seriedade impressionante.
Antes que ele iniciasse, porém, o meu feliz bombeamento, eu já me sentia realizada. Já sentia o peito cheio, ou melhor, a câmara-de-ar, que afinal é a mesma coisa.
A bola que havia em mim estava nascendo.

A Greve das Bolas. Orígenes Lessa. Rio de Janeiro, Editorial Nórdica Ltda, 1981, p. 12 -13


Driblando na rua
José A. Linhares

A bola rola
rebola, embola.

A algazarra, a garra,
a farra, o gol na marra

A alegria, a folia,
a magia, a gritaria.

O menino corre.
O sol explode.
O suor escorre.

A bola bate,
rebate, no combate voa.

A vidraça parte,
rebate, no combate voa.

A vidraça parte,
reparte, estilhaça.

Dona Sinhá vem pra rua.
A meninada pára.
O coração dispara.
A fuga. O silêncio.

A bola, o menino,
Os cacos.
Fim de jogo.
Dois a zero.

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Uma frase

O verdadeiro mestre ama o que faz. Por Elisabete Souto Barbosa

VÍDEOS INTERESSANTES

Cantinho dos autores - Breve histórico

Maurício de Sousa, O pai da Turma da Mônica

Maurício de Sousa nasceu no Brasil, numa pequena cidade do estado de São Paulo, chamada Santa Isabel. Foi em outubro de 1935.
Seu pai era o poeta e barbeiro Antônio Maurício de Sousa. A mãe, Petronilha Araújo de Sousa, poetisa. Além de Mauricio, o casal teve mais três filhos: Mariza (já falecida), Maura e Márcio.
Em 1959, Maurício criou uma série de tiras em quadrinhos com um cãozinho e seu dono Bidu e Franjinha e ofereceu o material para os redatores da Folha. As historietas foram aceitas, o jornalismo perdeu um repórter policial e ganhou um desenhista.
Nos anos seguintes, ele criaria outras tiras de jornal Cebolinha, Piteco, Chico Bento, Penadinho e páginas tipo tablóide para publicação semanal - Horácio, Raposão, Astronauta - que invadiram dezenas de publicações durante 10 anos.
Daí chegou o tempo das revistas de banca. Foi em 1970, quando Mônica foi lançada já com tiragem de 200 mil exemplares. Foi seguida, dois anos depois, pela revista Cebolinha e nos anos seguintes pelas publicações do Chico Bento, Cascão, Magali, Pelezinho e outras.
Seus trabalhos começaram a ser conhecidos no exterior e em diversos países surgiram revistas com a Turma da Mônica.
Fonte de Pesquisa: http://www.turmadamonica.com.br/